Textos (página 03)




O Negociador

Matéria extraída do site: http://www.vencer.com.br/materia_completa.asp?codedition=32&pagenumber=20 em 03/05/2006

 Você também acredita que é preciso ter confiança na pessoa com quem negocia? Pois se prepare para uma surpresa: nós só negociamos porque não confiamos!

Primeiro, é preciso definir o que é confiança. O grau de confiança entre duas pessoas é determinado pela capacidade que elas têm de prever o comportamento uma da outra. Também é "a expectativa que nasce no seio de uma comunidade de comportamento estável, honesto e cooperativo, baseado em normas compartilhadas pelos membros dessa comunidade". Quando isso ocorre, tenho condições de prever o comportamento do outro em uma dada circunstância.


Esquematicamente, podemos resumir assim:


CONFIANÇA <==> PREVISIBILIDADE <==> COMPORTAMENTO <==> VALORES

 
Confiança é previsibilidade do comportamento. Ao observar o comportamento de alguém, somos capazes de identificar os valores que determinam por que as pessoas se comportam de uma determinada maneira. Portanto, quando digo que confio em alguém, estou querendo dizer que: a) pertencemos à mesma comunidade de valores, e b) sei que ele estará tão orientado para atender a meus/nossos interesses quanto eu próprio estaria se estivesse no lugar dele. Quando isso acontece, as pessoas não negociam: elas são capazes de entregar um cheque em branco e assinado.

 
Assim, a quantidade e a freqüência das negociações podem ser indicadores de que nem tudo vai bem. Se a oportunidade de negociar pode ser um indício de relações democráticas e igualitárias, o excesso de negociações é um indicador seguro de falta de confiança porque, no limite, quando eu confio totalmente, não negocio. Assim, quanto maior o número de negociações, menor a abertura entre os interlocutores.

 
Mesmo quando duas pessoas possuem fortes vínculos afetivos - marido e mulher, por exemplo -, existem situações em que eles têm de negociar, porque um não confia na decisão do outro e isso não tem, em princípio, nada a ver com honestidade, mas sim com a incapacidade de prever o comportamento do outro. Um exemplo: numa sexta-feira à noite, voltando para casa, o marido está planejando ir ao cinema, pois há um filme a que ele quer muito assistir. Ao mesmo tempo, a mulher deseja ir ao teatro. Se um deles deixar a decisão nas mãos do outro - em confiança -, o desfecho será ganha/perde. Se decidirem negociar, deverão explorar os reais interesses em jogo. Se o que eles desejam é, realmente, assistir ao filme ou à peça, possivelmente cada um irá para seu lado.

 
Tecnicamente, pode-se dizer que, nesse caso, eles não confiam um no outro, ainda que em outras dimensões importantes do casamento a confiança seja total e irrestrita.

 
A rapidez na solução do impasse dependerá do grau de abertura existente entre os dois. Imagine que o marido teme abrir seus reais interesses para a mulher, com medo de magoá-la. Como resolver o impasse? Com abertura. Ou seja, quanto mais rápida e francamente eles revelarem o que desejam, mais facilmente poderão resolver esse problema.

 
O efeito da abertura cria um círculo virtuoso:

 ABERTURA <====> CONFIANÇA

 É com abertura que criamos confiança e, com essa, mais abertura. Quem começa? O movimento de abertura pode ser unilateral. Eu não preciso esperar pela pessoa, posso tomar a iniciativa agora. Não posso exigir que o outro confie em mim sem fazer um movimento de abertura em sua direção.

A conseqüência prática é uma mudança no clima das negociações: as partes caminharão muito mais rapidamente para as áreas de real interesse, os impasses diminuirão, o tempo de argumentação e contra-argumentação (o esgrima intelectual) cairá drasticamente, até que, no limite, a negociação desaparecerá.

Examinemos a questão da confiança no âmbito macroeconômico.

Nas últimas décadas, o Brasil viveu um forte processo de desorganização de sua economia, caracterizado por períodos prolongados de altas taxas de inflação. Além de outras causas, a inflação é, também, conseqüência de um estado de espírito típico de desconfiança entre os agentes econômicos. Num ambiente inflacionário, um agente econômico reajusta seus preços porque não acredita que seus concorrentes não farão o mesmo; não acredita na política econômica; enfim, ele faz tudo isso porque não tem segurança de que o outro lado está tão orientado para seus interesses quanto ele gostaria. Do lado oposto da mesa, o outro estará fazendo a mesma coisa. Daí porque, no extremo, só os choques e as mudanças radicais nas regras do jogo foram capazes de criar uma base para as relações: ninguém queria abrir mão primeiro.

O bozó

Todas as vezes que isso acontece comigo, imagino que estou em frente a um caixote de maçãs em cima do qual um sujeito manipula três tampinhas de cerveja, debaixo de uma delas deve estar uma bolinha e o truque consiste em descobrir onde. Na loja, o truque é descobrir qual das opções é a melhor para mim.

Quando um agente econômico - um consumidor que quer simplesmente comprar roupas, por exemplo - não tem condições de prever, minimamente, o comportamento do outro agente econômico, instaura-se a desconfiança na relação e consumidor desconfiado é um pessimista, no sentido de que espera o pior do outro, aquele que vê o outro sempre como uma ameaça em potencial. Na década de 80, numa pesquisa, constatei que o percentual de "pessimistas" (66%) no Brasil era igual ao verificado em uma pesquisa feita com ex-combatentes do Vietnã portadores de síndrome de estresse pós-traumático! Já a população pesquisada no Brasil era composta, basicamente, de participantes de seminários de negociação. Portanto, numa condição completamente diferente de um ex-combatente internado em um hospital ou vivendo de pensões do governo.

Na época - início dos anos 90 -, o Brasil estava às voltas com o fenômeno da hiperinflação. Com taxas mensais variando de 20%, 30%, 50% até o recorde mensal de 84% em fevereiro de 1990, a inflação desorganizou as relações econômicas de forma dramática. As causas da inflação são conhecidas. Entretanto, se não é a causa primária da inflação, a desconfiança é reconhecida como uma das principais, porque deixa os agentes econômicos com o pé atrás, e esses, para se protegerem, geram mais inflação ao criarem gorduras que serão consumidas e desbastadas em penosas negociações.

 

O saco de sal

Eu cresci ouvindo meu pai dizer que, "para se confiar numa pessoa, é preciso, antes, comer um saco de sal com ela". Demorei a entender o significado dessa expressão da desconfiança mineira. A primeira dúvida era quanto ao tamanho do saco: 1 quilo? 40 quilos? Nunca soube. A segunda dúvida - infantil - era se eles comiam tudo de uma só vez... Sabendo-se que o brasileiro ingere, em média, 5 gramas de sal por dia, duas pessoas demorariam mais de dez anos para comer um saco de sal de 40 quilos juntas! Ou três meses para comerem 1 quilo... O raciocínio funciona, e a desconfiança aumenta, se estivermos trabalhando com a hipótese de que os dois vão tomar todas as refeições juntos. Fora o lado folclórico, fica a essência conservadora da desconfiança: é preciso tempo para ver o outro em ação (comportamentos), porque é esse que vai possibilitar a descoberta dos valores que guiam o sujeito e, portanto, indicar se ele é confiável - previsível - ou não.

A questão é que a velocidade da abertura - ou o tempo que duas pessoas levam comendo o saco de sal - é escolha delas ou, pelo menos, de uma delas, e não há nada que diga que esse tempo deva ser longo ou curto, além da decisão pessoal de expor-se para o outro e tornar-se mais rapidamente previsível - ou confiável.

Se não há abertura, não há confiança; se não há confiança, as negociações duram mais e, principalmente, acabam sendo de má qualidade. As melhores soluções aparecem quando os negociadores são mais abertos, porque a abertura favorece a criatividade. Quando as partes, por estarem se defendendo menos, podem explorar idéias novas e antagônicas sem medo, tornando a negociação um empreendimento cooperativo e aí, de tanto negociar, bem poderão negociar cada vez menos!

Odino Marcondes é sociólogo e diretor da Marcondes & Consultores Associados.



Software para a Vida

Este programa é ótimo para instalarmos. O melhor de tudo é que podemos copiá-lo e distribuí-lo à vontade.

Alo, é do Setor de "Atendimento ao Cliente"....

Atendente: Boa tarde Senhora. Em que lhe posso ser útil ?

Cliente: Comprei o seu programa AMOR, mas até agora não consegui instalar. Eu não sou técnica no assunto, mas acho que posso instalar com a sua ajuda. O que eu devo fazer primeiro?

Atendente: O primeiro passo é abrir o seu CORAÇÃO. A senhora encontrou seu CORAÇÃO?

Cliente: Sim, encontrei. Mas há diversos programas funcionando agora. Tem algum problema em instalar o AMOR enquanto outros programas estão funcionando?

Atendente: Que programas estão funcionando, senhora?

Cliente: Deixe-me ver... Eu tenho BAIXAESTIMA.EXE, RESSENTIMENTO.COM, ODIO.EXE e RANCOR.EXE funcionando agora.

Atendente: Nenhum problema. O AMOR apagará automaticamente RANCOR.EXE de seu sistema operacional atual. Pode ficar em sua memória permanente, mas não vai causar problemas por muito tempo para outros programas. O AMOR vai reescrever BAIXAESTIMA.EXE em uma versão melhor, chamada AUTOESTIMA.EXE . Entretanto, a senhora tem que desligar completamente o ODIO.EXE e RESSENTIMENTO.COM. Esses programas impedem que o AMOR seja instalado corretamente. A senhora pode desligá-los?

Cliente: Eu não sei como desligá-los. Você pode me dizer como?

Atendente: Com prazer! Vá ao Menu e clique em PERDAO.EXE. Faça isso quantas vezes forem necessárias, até o ODIO.EXE e RESSENTIMENTO.COM serem apagados completamente.

Cliente: Okay! Terminei! O AMOR começou a instalar-se automaticamente. Isso é normal?

Atendente: Sim, é normal. A senhora devera receber uma mensagem dizendo que reinstalará a vida de seu coração. A senhora tem essa mensagem?

Cliente: Sim, eu tenho. Está completamente instalado?

Atendente: Sim. Mas lembre-se: a senhora só tem o programa de modelo básico. A senhora precisa começar a se conectar com outros CORAÇÕES a fim de obter melhoramentos.

Cliente: Oh! Meu Deus! Eu já tenho uma mensagem de erro. Que devo fazer?

Atendente: O que diz a mensagem?

Cliente: Diz: "ERRO 412 - O PROGRAMA NÃO FUNCIONA EM COMPONENTES INTERNOS". O que isso significa?

Atendente: Não se preocupe, senhora. Este é um problema comum. Significa que o programa do AMOR está ajustado para funcionar em CORAÇÕES externos, mas ainda não está funcionando em seu CORAÇÃO. É uma daquelas complicadas coisas de programação, mas em termos não-técnicos, significa que a senhora tem que "AMAR" sua própria máquina antes que possa amar outra.

Cliente: Então, o que devo fazer?

Atendente: A senhora pode achar o diretório chamado "AUTO-ACEITACAO"?

Cliente: Sim, encontrei.

Atendente: Excelente! A senhora está ficando ótima nisso!

Cliente: Obrigada!

Atendente: De nada. Faça o seguinte: clique nos arquivos BONDADE.DOC, AUTOESTIMA.TXT, VALORIZE-SE.TXT, PERDAO.DOC e copie-os para o diretório "MEU CORAÇÃO". O sistema irá reescrever todos os arquivos em conflito e começará a consertar a programação defeituosa. Também a senhora precisa apagar AUTOCRITICA.EXE de todos os diretórios e depois esvazie a sua lixeira para certificar-se de que nunca voltem.

Cliente: Consegui! Meu CORACAO está cheio de arquivos realmente puros! Eu tenho no meu monitor, agora, o SORRISO.MPG e está mostrando que PAZ.EXE, CONTENTAMENTO.COM e BONDADE.COM foram instalados automaticamente no meu CORACAO.

Atendente: Então, terminamos! O AMOR está instalado e funcionando, Ah! Mais uma coisa antes de eu ir.

Cliente: Sim?

Atendente: O AMOR é um programa grátis. Faça o possível para distribuir uma cópia de seus vários modelos a quem a senhora encontrar e, dessa forma, a senhora receberá de volta dessas pessoas novos modelos verdadeiramente puros. Cliente: Obrigada pela sua ajuda!






A Arca de Noé

Ovídio Barradas (em 1974 dC)


Absalão era um homem que se podia conceituar como justo. Era um estudioso e, quando repetia os sábios dizendo que os lados de um quadrado eram iguais, realmente tornava-se difícil entendê-lo. Dos seus 60 anos de idade, a maior parte havia dedicado a arte da guerra, onde conceitos técnicos e científicos eram mais aplicados. Particularmente, era apaixonado pela organização de forças de combate e no uso de armas avançadas, tais como lanças de grande alcance, setas orientadas e na ultima novidade bélica - o lançador de pedras! Era um verdadeiro general! Com o Absalão também se preocupava com assuntos humanos, os quais, porém, o perturbavam um pouco. O Criador já não era reverenciado como no seu tempo; os filósofos eram ridicularizados, havia uma inversão completa na política - acreditava-se mais na energia e estultice dos jovens, do que na ponderada orientação dos mais velhos.Um dia, Absalão andava pela ravina imerso em seus pensamentos,quando, de repente - PUFF - uma nuvem de fumaça apareceu, acompanhada de uma voz tonitruante: - ABSALÃO !

Absalão prostrou-se. Só podia ser o Criador! Em pessoa!
ABSALÃO - voltou à voz - NÃO ESTOU CONTENTE COM OS HOMENS, ESTÃO POLITIZADOS, GUERREIAM ENTRE SI E SÓ DEFENDEM INTERESSES PRÓPRIOS. O TRINÔMIO ADÃO-EVA-COBRA DEU NISTO? FAREI CHOVER POR 40 DIAS E 40 NOITES, ATÉ COBRIR A TERRA DE ÁGUA. SERÁ CONHECIDO COM "O DILÚVIO". MAS QUERO QUE UMA NOVA HUMANIDADE NASÇA DE UM HOMEM INTELIGENTE, PRÁTICO E OBJETIVO. VÁ E CONSTRUA UM BARCO PARA VOCÊ E SUA FAMÍLIA E COLOQUE DENTRO UM CASAL DE CADA SER VIVO. VOCÊ TERÁ 4 MESES PARA ESTE EMPREENDIMENTO. MEU CONTATO COM VOCÊ SERÁ O ARCANJO GABRIEL, QUE COSTUMAM CHAMAR DE "MINISTRO DE DEUS" - PUFF!? e a nuvem se foi?

Absalão levantou-se lívido. O Criador elegera-o gerador da nova Humanidade! Todas as suas idéias seriam propagadas para o futuro! Mas, Absalão nada conhecia de barcos nem de navegação, porém não discutia para não perder a grande oportunidade dada pelo Criador. Absalão era um sexagenário e estava difícil ganhar a vida com o status de que se achava merecedor. Mas 4 meses era muito pouco tempo! Era preciso resolver um problema técnico - construir um barco enorme - que objetivo! Absalão provaria que era capaz de salvar a Humanidade com a sapiência dos mais velhos, usando a energia dos mais jovens!
Absalão rebuscou a memória. Conhecia um engenheiro naval chamado Neul, não,? Noé! Sim, era este o nome. Noé poderia construir-lhe o barco - Absalão seria o coordenador do EMPREENDIMENTO e Noé seria o elemento técnico. Tão logo pensou, tão logo já conversava com Noé. - Meu caro - dizia Absalão - quero encomendar-lhe um barco e dos grandes!

Sim, senhor, mas qual o tipo, para que carga, para qual navegação?
Sim, sim, Noé, isto são detalhes. É um barco para grande carga e águas pesadas. Quero fazer uma longa viagem com a família e levarei tudo.

Está bem, senhor. Aqui mesmo temos floresta com madeira de densidade 0,8g/ cm3 em quantidade suficiente. Se a carga é grande, faremos o centro de gravidade baixo e o centro de empuxe alto, de modo a obter grande estabilidade. Acho que com 10 bons carpinteiros, que consigo arranjar, e um mês de trabalho duro, estaremos com o barco pronto?

Perdão, caro Noé, não quero interrompe-lo, mas como pode ter certeza desta cadencidade da madeira? Se os homens são realmente competentes? Se trabalharão com eficiência?
Senhor, a unidade a que me referia chama-se densidade e os homens são carpinteiros, já meus velhos conhecidos?

Não, não, Noé - disse Absalão com um sorriso de condescendência - este EMPREENDIMENTO é grande e a coordenação é minha. Serei como que um Presidente e você será o técnico. Combinado?
Combinado, senhor Presidente, o barco é seu e quem manda é o senhor - retrucou Noé, dando de ombros. Levantou-se para cumprimentar Absalão e retirou-se.
Absalão pensou: puxa, não havia pensado nisso! São precisos carpinteiros para cortar árvores e construir o barco. É necessário selecionar bem estes homens, pois o EMPREENDIMENTO não pode fracassar.
Ah! Já me lembro. Meu auxiliar na cruzada santa de TRÊS-PEDRAS fez ótima seleção de lanceiros: Roboão é o seu nome. Hoje está selecionando beterrabas para a indústria, mas virá trabalhar comigo, por um salário um pouco maior.

Mas Chefe, se o técnico disse 10 carpinteiros, precisaremos, no mínimo, de 15. O senhor sabe, faltas, doenças, férias, "turn over"? E para selecionar bem 15 homens, temos que explorar um universo de pelo menos 150 a 200 homens. Levarei algum tempo para isso e precisarei de auxiliares.
Confio em você Roboão. Já fez um bom trabalho para mim e tem grande experiência com Pessoal. Realmente, achei Noé muito simplista. Convide quem você achar melhor para realizar o recrutamento e seleção de homens para a tarefa. Mantenha-me informado!

Certo, Chefe. Obrigado pela confiança. Sairei em campo imediatamente.

À noite, Absalão dormiu satisfeito. Após a missão do Senhor, em menos de 24 horas já tinha o técnico e o especialista em Pessoal. Dormiu embalado ainda pela algazarra de sua família (20 membros) na festa de inauguração do lançamento do EMPREENDIMENTO.

O 2º dia amanheceu tranqüilo e claro. O Presidente foi acordado por Roboão, com boas notícias.

Chefe, já tenho 5 homens anunciando no povoado - é a fase do recrutamento. De acordo com o mercado, estamos oferecendo 5 dinheiros.

Mas Roboão, minha mulher ganha 9 dinheiros cosendo para fora? não será pouco?

Deixe comigo, Chefe. No recrutamento da última batalha pagamos 8 dinheiros para valentes combatentes. Estes são apenas carpinteiros, que não podem ser comparados com a sua senhora. Temos sim 5 recrutadores e 10 examinadores para a fase de seleção - menos de 10% dos candidatos esperados!

E quanto ganharão?

O salário desta equipe varia de 8 a 12 dinheiros, por serem especialistas. Chefe, um probleminha a mais. Não quero responsabilidades com o Numerário e não sou bom em contas. O trabalho com o pessoal já é bastante. Não acha melhor termos um homem para a gerência financeira do EMPREENDIMENTO?

Bem lembrado Roboão - mas não conheço nenhum e deve ser um homem de confiança!

Chefe, se me permite, quero lembrar-lhe o Judas, que se ocupava dos dinheiros da força de combate.

Não, não Roboão. Este negócio de dinheiro, com o pessoal das armas, não dá certo. Pensemos em outro: deve ser um especializado na coisa? você me compreende?

- Então, Chefe, podemos fazer uma seleção entre candidatos. Sairei em campo!

O EMPREENDIMENTO crescia de vento em popa. As equipes de recrutamento e seleção já estavam em plena operação. As finanças já tinham um responsável. Mas, onde colocar este pessoal? Absalão partiu, com seu habitual dinamismo e logo adquiriu uma grande cabana de madeira já com divisórias e tapetes e contratou imediatamente o pessoal de zeladoria e segurança, convidando alguns conhecidos das forças de combate. Iniciou-se, assim, a operação em grande escala.

Senhor Presidente - falou timidamente a graciosa recepcionista - , está aqui o Dr. Noé com alguns desenhos e...
Minha filha, já lhe disse para não me interromper. Diga ao Dr. Noé que passe após o almoço.

Absalão continuou a entrevista com o futuro gerente de material - Jacob, seu velho conhecido de carreira.

- Pois é, amigo Jacob, preciso cercar-me de gente de confiança, para o sucesso do EMPREENDIMENTO. Material é uma área delicada e não tolerarei desvios de estoque!

Certo, Chefe! Sabe que pode confiar em mim. Nunca sumiu uma flecha ou lança no meu tempo. Mas o armazenamento de madeira necessita de um almoxarifado adequado e um bom almoxarife. Para o controle, necessitarei de alguns arquivos, arquivos Kardex, prateleiras, o pessoal de apoio.

Justo Jacob. Encomende as prateleiras na carpintaria do povoado e fale com o Roboão para o recrutamento do pessoal necessário.

Neste momento, entrou Cloé, o secretario executivo do presidente. Jacob afastou-se discretamente.

Senhor Presidente, acaba de chegar um relatório da Segurança, indicando certos nomes que não devem ser contratados. Há suspeitas de que alguns não sejam bem confiáveis.

Ótimo trabalho do Gau - jamais lhe falhou a intuição. Precisamos estar alertas!

Ah! Outra coisa, Sr. Presidente, o Dr. Noé telefonou novamente. Parece aflito para a aprovação de alguns desenhos.

Ora, este Noé! Sempre querendo me confundir com cidades de madeira, centros de fluxos. Ele sabe que não posso, sozinho, me responsabilizar pela aprovação desses desenhos. Diga-lhe que nomearei um grupo de trabalho, o GT-BAR, grupo de trabalho do barco, para dar-me um parecer. O rapaz é bom de projeto, mas nada entende de custos ou de administração por objetivos! Mas teremos tudo nos eixos, tão logo chegue o meu chefe de administração - vai colocar ordem e método nessa turma - quero ver produção!

Quinze dias se passaram e o organograma proposto já estava na mesa do Presidente. Uma Diretoria das Coisas (DC) , uma dos Investimentos (DI), e uma do Barco (DB). O DB já havia montado um laboratório especializado para a medida de densidade de madeira, analise de fungos e cupins e já estavam instalados os equipamentos para medida de elasticidade e flexibilidade.

A Administração, em apenas 15 dias, já havia elaborado as provas de seleção para a seleção do pessoal de seleção e recrutamento, pessoal de apoio, etc. Roboão, como cumprimento ao Chefe, havia mandado comprar uma charrete, ultimo tipo, de 6 rodas e boléia separada já acompanhada de charreteiro. Naturalmente, houve pequeno atrito com Jacob (chefe do material) mas, como eram companheiros de batalhas, o incidente foi esquecido e contornada e auditoria.

Naquela noite, Absalão estava cansado, mas não pode esquivar-se de receber Noé em sua residência.

Sr. Presidente, desculpe-me interromper o seu descanso, mas o projeto já esta pronto e as pessoas do GT-BAR ainda não foram nomeadas. O material já está especificado, porém, o laboratório ainda não emitiu o laudo de aprovação da madeira e não consegui os carpinteiros para o corte. Se o Sr. pudesse autorizar-me trazer os carpinteiros conhecidos do povoado?

Não se preocupe Noé. Falarei amanhã com o DB e apressarei a contratação do pessoal. Você sabe, apesar de ser o Presidente, não posso mudar as normas da organização, autorizando diretamente seus carpinteiros. Da chefia vem o exemplo do cumprimento das normas. Não se preocupe que o EMPREENDIMENTO está nas mãos de profissionais - os melhores! - Boa noite, Noé?

Noé afastou-se sem entender muito bem. Havia sido convidado para construir um barco. Agora estava as voltas com normas, instruções, exames de seleção. Balançou a cabeça - as coisas devem ser complicadas mesmo, e o Presidente é um homem capaz, se não, não seria Presidente. Partiu otimista para sua cabana. Se o Presidente disse, é porque tudo vai indo muito bem.

25º dia - Manhã linda. Cloé anuncia a chegada de Roboão.

Entre logo, meu velho, sente-se. Aceita um leite de cabra?

Sim, chefe, obrigado. Por falar nisso, segundo a lei, mandei distribuir leite de cabra pela manhã e pela tarde, para todos. Já está até codificado o material para o controle pelo computador. Mas, para isso, foi necessário adquirir 200 cabras, alugar um pasto e contratar 5 pastores. Genial, Chefe! Veja só: dá 40 cabras por pastor e só ganham 10 dinheiros!

Você é um craque na administração de pessoal, Roboão. Falarei ao seu Diretor para propor sua promoção na próxima vez. Como vai a sua avaliação?

- Realmente, não sei, Chefe, é confidencial.

Darei um jeito para que seja boa, afinal já temos 500 pessoas no EMPREENDIMENTO.

Nessas 500 pessoas, cerca de 4.000 dinheiros, Chefe! - respondeu Roboão com um sorriso de modesta satisfação. Talvez fosse aumentado para 30 dinheiros!

Roboão, não quero incomodá-lo e nem por sombra desfazer do belíssimo trabalho de sua equipe, mas Noé me disse que ainda não foram contratados os carpinteiros para o corte?

Ora, Chefe, Noé e um sonhador. Só pensa nos seus desenhos. Já lhe expliquei a complexidade da contratação. Por exemplo: já aumentamos a oferta para 6 dinheiros, porém, todos os carpinteiros candidatos foram reprovados no psicotécnico. Não adianta contratar pessoal sem aptidão psico-profissional para o corte da madeira. Se não passaram nem neste exame, imagine nos outros!

Realmente, você tem razão, Roboão. Noé desconhece o que é uma boa organização. Toque como você achar melhor. Se o contratei é porque tenho total confiança no seu trabalho?

40º dia - Finalmente, a primeira reunião de Diretoria. Era o momento solene das grandes decisões de cúpula do EMPREENDIMENTO. Todos com seu melhor terno, sentados à mesa de reuniões com suas pastas tipo 007. O Presidente, satisfeito, relatava que o EMPREENDIMENTO era o orgulho do povoado. Havia muito trabalho e emprego para todos.

Aproveitando o clima de satisfação, o DC informou que havia feito um convênio com a Escola de Carpinteiros, pois a mão-de-obra necessária estava aquém do treinamento requerido. Além disso, havia criado o Departamento de Recursos Humanos com a missão de retreinar os carpinteiros para a técnica naval; também treinar datilógrafas, secretárias, auxiliares para administração. Havia ainda criado um Departamento de Segurança e Higiene do Trabalho, por força de lei. O ambulatório já atendia 20 pessoas por dia.

O DB, aproveitando uma brecha do DC, ponderou timidamente que faltava papel para desenho e que a eficiência dos carpinteiros era baixa: havia só um, que cortou 3 arvores, sendo duas bichadas, de acordo com o último relatório do Controle de Qualidade. Noé estava tentado suprir a falta, desenhando em folhas de bananeiras e cortando árvores à noite, após o expediente. Quando o DB propôs aumentar o salário de Noé para 15 dinheiros, o DC explodiu, seguido de perto pelo DI.

Estes técnicos não funcionam e ainda querem aumento! Sr. Presidente, sou de opinião que devemos aumentar a equipe de recrutamento e apertar as provas de seleção. Nossa equipe técnica deixa muito a desejar!

Perdão, retrucou o DB. O laboratório funciona! Veja como detectou as árvores bichadas. Acontece que não temos o apoio necessário. O Sr. está desviando recursos para a área de Operação do barco, recrutando timoneiros, veleiros, etc.

Mas é lógico - interveio o Presidente -, temos que agir com antecedência no treinamento. Treinar é investir no futuro!

80º dia - Absalão passeava na ravina. Estava orgulhoso. Era Presidente de um EMPREENDIMENTO que já contava com 1.200 pessoas. As preocupações de Noé eram infundadas. Não passava de um tecnocrata pessimista. Felizmente, já havia o Diretor de Barco para despachar com o Noé - menos um aborrecimento.

Subitamente, - PUFF? uma nuvem de fumaça.

O MINISTRO DO SENHOR! Exclamou Absalão prostrando-se.

ABSALÃO, PONHA GENTE DE MAIS PESO NO TOPO, CASO CONTRÁRIO, O EMPREENDIMENTO AFUNDARÁ - PUFF.

Absalão correu à cabana de Noé.

Noé, Noé, ponha um convés no alto do mastro. Vou colocar as pessoas mais pesadas em cima!

Mas Presidente, isto é impossível? Sempre o convés é embaixo e o mastro aponta para cima. Se aumentarmos a massa no topo, o barco vai emborcar!

Não discuta alimentação agora comigo Noé! O MINISTRO mandou colocar homens pesados no topo, e é isto o que vou fazer! e cumpra as minhas ordens!

Noé não retrucou. O Presidente estava nervoso. Talvez Cloé pudesse faze-lo ver mais claro? Noé correu à Secretaria Geral, mas lá encontrou o Comandante de Operação do Barco, que já esperava há duas horas. Com ele estavam o sub-comandante nível 3, o imediato, o pré-imediato, dois assistentes e três assessores.

Noé - disse o Comandante - o seu projeto não anda! Como vou  treinar meus homens sem barco? Vou pedir aprovação do Presidente para adquirir um simulador de barco, caso contrário, não me responsabilizo. O DI diz que minha Razão de Operação está horrível, mas implantou custos só na minha área! Já reparou quantas pessoas de apoio tem o Departamento de Apoio?

Noé balançou a cabeça e retirou-se vagarosamente. Realmente, o que ele conseguira? Uma meia dúzia de desenhos e alguns em folha bananeira. Isto em 80 dias! Ele havia prometido ao Presidente que faria o barco em 30 dias! Estava acabrunhado e sentia-se um incompetente. Mas, o que estaria errado?

O Presidente entrou furioso, desabafando com Cloé:

Veja só! Faltam apenas 40 dias e a divisão de importação diz que há crise de transporte e a madeira só chegará no prazo médio de 10 dias! O pessoal de P.O. mais o de O & M, junto com o CPD já fez tudo para diminuir o caminho crítico de um tal de PERTO - mas estou vendo tudo longe! Quero uma reunião de emergência com os Diretores. Vou despedir o Setor de Carpintaria e contratar outro. Se não fosse o Roboão com a equipe de recrutamento, não sei o que seria?

Mas, Presidente - perguntou Cloé -, faltam 40 dias para o quê?

Para o dilúvio, minha filha, para o Dilúvio! Envie o seguinte telex:
De: Absalão
Para: O SENHOR

SOLICITO PRORROGAÇÃO PRAZO RESTANTE 40 DIAS. DIFICULDADES INTRANSPONÍVEIS CRISE INTERNACIONAL DE MADEIRA. PROSTRAÇÕES - ABSALÃO.

O ruído monótono da teleimpressora deixava Absalão ansioso, mas a resposta veio, finalmente.

Do: SENHOR
Para: Absalão

CONCEDIDO PRAZO MAIS CINCO DIAS IMPRORROGÁVEIS. ELEVAÇÃO DE ÁGUAS EM ANDAMENTO.

Absalão desesperou-se e partiu para a reunião. Cloé, pelo telefone interno, iniciou a telefofoca do Dilúvio.

82º dia - Gau adentra o gabinete do Presidente.

Chefe, tenho aqui um relatório de que há desvio de cipós de amarração do almoxarifado. A listagem do computador não bate com a Auditoria?

Que inferno, Gau! Coloque sua equipe em campo. Jacob está fora de suspeita por seu amigo. Verifique o pessoal da carpintaria. Mande um memorando ao Roboão para aumentar a equipe de segurança. Cloé, ponha o Roboão na linha?

Roboão? Aqui é o Presidente. Já recrutou os carpinteiros?

Infelizmente, não passam nos testes, meu Chefe. Já afrouxamos as provas, mas o exame de reconhecimento de tipos genéticos de cupim reprova todo mundo. É por isso que a madeira do estoque está bichada, conforme o relatório do Departamento de Material.

- Presidente! - interrompeu Cloé - é urgente: há dois pastores na ante-sala dizendo que há crise de leite nas cabras e não haverá distribuição aos funcionários por uma semana. O Suprimento não providenciou capim na seca do pasto? Qual a sua decisão?

100º dia - Reunião de Diretoria - Sr. Presidente - falou o DI - dentro de uma semana, vencem nossos empréstimos internacionais, com povoados vizinhos e o caixa não é suficiente. O EMPREENDIMENTO economicamente vai muito bem, mas, financeiramente, estamos à beira de uma crise. Sugiro um redução de pessoal?

Toda vez que se fala em reduções, todos olham para mim - explodiu o Comandante de Operações - .Sem meus homens, não ha operação do barco, que nem sairá do porto. E meu simulador ainda não foi aprovado!

- Sr. Presidente ? timidamente, tentou o DB - , acho que o Comandante tem razão, mas não prometeram ao MINISTRO que o barco estaria pronto em breve? Mas, sem material?

Como posso fabricar madeira? - gritou o DC - seu Laboratório não acha a madeira local e há crise de transporte! Os carpinteiros são incompetentes? E este tal de Noé? Que fez ele até agora? E ganha 10dinheiros!

Senhores - falou gravemente o Presidente.

Todos o olharam esperançosos.

A situação do EMPREENDIMENTO é razoável, mas temos que tomar uma atitude mais seria quanto ao projeto do barco?

Presidente, não quero interrompe-lo, mas em nossos arquivos não constam os exames de admissão de Noé e nem sabemos mesmo se ele é engenheiro naval?

- Sim, a culpa é minha - falou o Presidente -, mas quando convidei Noé, ainda não existiam as normas do EMPREENDIMENTO. Sou, portanto, obrigado a despedi-lo. Queira providenciar através do Roboão.

Noé realmente ficou furioso com a notificação. Nem exigiu a fração do 13º salário que lhe cabia. Estava disposto a sair daquela terra, e o caminho mais fácil era pelo rio. Partiu para a floresta e reuniu 5 companheiros.

- Amigos, vamos cortar estas arvores bichadas mesmo, construir um barco e sair daqui!

Mas, Noé, nem somos carpinteiros e nem sabemos fazer barcas?

Não importa. Ensinarei a cortar madeira e já tenho os desenhos. Faremos uma equipe motivada com o objetivo de construir um barco para uma vida melhor em outras terras! Levaremos uns bichos a bordo para comer na viagem! Só falta meter mãos a obra!

A madeira começou a ser cortada. Lascas voavam por todos os lados e as partes mais bichadas eram isoladas e jogadas fora. Em poucos dias, o casco do barco já tomava forma.

125º dia - O Presidente acordou preocupado. A madeira tinha chegado, mas só 3 carpinteiros no Setor de Carpintaria. Sua charrete tomou o caminho mais rápido para o escritório, para evitar o mau tempo. Nuvens pesadas cobriam os céus.

Absalão foi direto ao telex. Cloé, entretanto, só chegava às 10 horas? Correu, então, ao CPD.

Que há aqui? Não começou o expediente? Quem é você ?

Sou um perfuradora, senhor. Há dias não há ninguém. Dizem que pelo Plano de Classificação de Cargos e Salários e pela política de promoções, não fica ninguém?

Absalão voltou ao escritório. No caminho, encontrou com o Gau, que lhe disse, preocupado, haver um zum-zum acerca de um tal de Pluvio que poderia ser um terrorista, mas que sua equipe?

Absalão ficou branco e correu ao telex.

Cloé, rápido:

De: Absalão
Para: SENHOR

DIFICULDADES COM O PROJETISTA ATRASARAM EMPREENDIMENTO. SOLICITO PRORROGAÇÃO PRAZO.

A resposta foi imediata:

Do: SENHOR
Para: Absalão

PRORROGAÇÃO NEGADA.

E começou a chover?

Absalão correu para fora, seguido de Jacob. A chuva era forte, mas Jacob viu algo e gritou:

Chefe, há um barco descendo o rio. Veja, na proa, tem alguma coisa escrita. parece que o B caiu, acho que é... ARCA DE NOÉ

A história sempre nos ensinou... e ensina..., nós é que demoramos para ver o que é evidente aos olhos... Aprenda uma grande lição com a Arca de Noé...

COISAS IMPORTANTES A APRENDER COM A ARCA DE NOÉ.
1)Não perca o barco.
2) Lembre-se de que estamos todos no mesmo barco.
3)Planeje para o futuro. Não estava chovendo quando Noé construiu a Arca.
4)Mantenha-se em forma. Quando você tiver 60 anos, alguém pode lhe pedir para fazer algo realmente grande.
5)Não dê ouvido aos críticos; apenas continue a fazer o trabalho que precisa ser feito.
6)Construa seu futuro em terreno alto.
7)Por segurança, viaje em pares.
8)A velocidade nem sempre é uma vantagem. Os caramujos estavam a bordo com os leopardos.
9)Quando estiver estressado, flutue por um tempo.
10)Lembre-se, a Arca foi construída por amadores; o Titanic por profissionais.
11)Não importa a tempestade, pois quando você está com Deus há sempre um arco-íris te esperando.





Gestão do fósforo



    Um fósforo, uma bala de menta, uma xícara de café e um jornal.

    Estes quatro elementos fazem parte de uma das melhores histórias sobre atendimento que conhecemos.

    " Um homem estava dirigindo há horas e, cansado da estrada, resolveu procurar um hotel ou uma pousada para descansar.
    Em poucos minutos, avistou um letreiro luminoso com o nome: Hotel Venetia.
    Quando chegou à recepção, o hall do hotel estava iluminado com luz suave. Atrás do balcão, uma moça de rosto alegre o saudou amavelmente: "-Bem-vindo ao Venetia!" Três minutos após essa saudação, o hóspede já se encontrava confortavelmente instalado no seu quarto e impressionado com os procedimentos: tudo muito rápido e prático. No quarto, uma discreta opulência; uma cama, impecavelmente limpa, uma lareira, um fósforo apropriado em posição perfeitamente alinhada sobre a lareira, para ser riscado.
    Era demais! Aquele homem que queria um quarto apenas para passar a noite começou a pensar que estava com sorte. Mudou de roupa para o jantar (a moça da recepção fizera o pedido no momento do registro). A refeição foi tão deliciosa, como tudo o que tinha experimentado, naquele local, até então.
    Assinou a conta e retornou para quarto. Fazia frio e ele estava ansioso pelo fogo da lareira. Qual não foi a sua surpresa! Alguém havia se antecipado a ele, pois havia um lindo fogo crepitante na lareira. A cama estava preparada, os travesseiros arrumados e uma bala de menta sobre cada um. Que noite agradável aquela! Na manhã seguinte, o hóspede acordou com um estranho borbulhar, vindo do banheiro. Saiu da cama para investigar. Simplesmente uma cafeteira ligada por um timer automático, estava preparando o seu café e, junto um cartão que dizia: "Sua marca predileta de café. Bom apetite!" Era mesmo! Como eles podiam saber desse detalhe? De repente, lembrou-se: no jantar perguntaram qual a sua marca preferida de café. Em seguida, ele ouve um leve toque na porta. Ao abrir, havia um jornal. "Mas, como pode?! É o meu jornal! Como eles adivinharam?" Mais uma vez, lembrou-se de quando se registrou: a recepcionista havia perguntado qual jornal ele preferia. O cliente deixou o hotel encantando. Feliz pela sorte de ter ficado num lugar tão acolhedor. Mas, o que esse hotel fizera mesmo de especial?

    Apenas ofereceram um fósforo, uma bala de menta, uma xícara de café e um jornal

    Nunca se falou tanto na relação empresa-cliente como nos dias de hoje.
    Milhões são gastos em planos mirabolantes de marketing e, no entanto, o cliente está cada vez mais insatisfeito mais desconfiado. Mudamos o layout das lojas, pintamos as prateleiras, trocamos as embalagens, mas esquecemos-nos das pessoas. O valor das pequenas coisas conta, e muito. A valorização do relacionamento com o cliente. Fazer com que ele perceba que é um parceiro importante!!!

    Lembrando que: Esta mensagem vale também para nossas relações pessoais (namoro, amizade, família, casamento) enfim pensar no outro como ser humano é sempre uma satisfação para quem doa e para quem recebe.

    Seremos muito mais felizes, pois a verdadeira felicidade está nos gestos mais simples de nosso dia-a-dia que na maioria das vezes passam despercebidos.



















 




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